Na minha adolescência era comum (talvez ainda seja) ouvir as meninas se referindo à menstruação como “monstruação”. De assustar qualquer uma, não?! Ouço diariamente queixas do tipo:
- “Menstruei duas vezes este mês”
- “Os ciclos são bagunçados”
- “Demora para vir “
- “Sangro muitos dias”
- “Às vezes tenho que usar absorvente noturno”
- “Não aguento mais, quando chega logo a menopausa?!”
As alterações menstruais junto às reclamações de corrimento vaginal são as principais queixas sobre as quais nós, ginecologistas, somos indagados.

Apesar de tudo, esse “monstro” pode ser “domado”. Afinal, menstruar também é sinônimo de saúde. Portanto, mulheres, libertem-se deste mal ou, pelo menos, aprendam a conviver com ele da melhor forma possível. Com a ajuda de seu médico, claro!
Realmente são inúmeros os motivos que levam a uma alteração menstrual. Seja ela a ausência ou demora para vir o próximo ciclo, seja a continuidade por muitos dias e em grande quantidade, ou ainda pequenos sangramentos no meio do ciclo são situações que necessitam investigação. Elas podem ser contornadas com tratamento médico!
Em caso de sangramento aumentado, precisamos investigar possíveis causas:
- Mioma submucoso
- Pólipo endometrial
- Adenomiose
- Hiperplasia endometrial
- Sangramento uterino disfuncional
- Coagulopatias e insuficiência hepática e renal
Em se tratando de irregularidade dos ciclos menstruais, analisamos se é:
- Síndrome dos Ovários Policísticos
- Hipotireoidismo
- Hiperprolactinemia
- Estresse
Para Escapes (borra de café) entre os ciclos:
- Pílula anticoncepcional
- Cicatriz de cesárea
Até que ponto é normal sentir dores na menstruação?
Não se deixem levar pela explicação simplória que alguns colegas dão para as suas pacientes, como, por exemplo: “Isto é normal!”
Não, eu não acho normal… Talvez, o termo seja “comum”. Mas também não significa que as mulheres devam sofrer com estes sintomas. É nossa função como médico oferecer uma melhor qualidade de vida para as pacientes, por meio do conhecimento adquirido e tratamentos disponíveis.
Dispomos de recursos variados para diagnóstico, diversas combinações hormonais para tratamento. Por vezes, até técnicas cirúrgicas minimamente invasivas são bem-vindas, como histeroscopia cirúrgica, videolaparoscopia para retirada do mioma ou útero e, atualmente, a cirurgia robótica.